Como eu amo e odeio
Amo - a ponto de sentir doer o corpo, na falta
Odeio - cada parte disso que não me era necessária
Não era o tempo, não!
Não era o tempo de florescer
Nem botões na roseira haviam brotado
Como pode nascer algo forçado?
Agora o tempo é toda hora
A qualquer momento
Não tem mistério só conhecimento
Um caminho de águas escorrendo
Mas o agora também é tempo
E no tempo tudo cabe
E não cabe ao mesmo tempo
Endurece, enrijece
Quem disse que não cresce?
Corpo e mente no mesmo passo
Compasso e velocidade
A cabeça explodindo
Cores num labirinto
Mas há sombras também
Sombras pelo caminho
Nesse encontro atemporal
Ação e pensamento
Lembranças distantes e de momentos
Que as vezes nem foram perfeitos
No final é só mais um corpo
Na carne, o desejo
Jogada na cama com um rio que inflama
As vergonhas e dores no meu peito