domingo, 9 de agosto de 2009

O chafariz da praça


Andando pelas ruas (sempre estou fazendo isso, então significa que lá vem uma história maluca e sem noção da Fernanda) eu vi um chafariz com águas vermelhas. Não, não era sangue. Um moleque mal comportado tinha colocado um suco em pó de morango lá. Sentei na cadeira da praça que não estava assim tão cheia,levantei e fui até uma mercearia e pedi um copo descartável a uma mulher que não tinha um cabelo muito bom e tinha acabado de fazer chapinha. Eu pedi um de 300ml mas ela só me deu um de 150ml. Voltei para a praça. Havia um homem sentado no chão comendo um pão doce com um litro de cachaça. Ele me ofereceu a cachaça mas só aceitei o pão. Colhi a água do chafariz e tomei com o pão, sentada no banco. Enquanto eu comia aquela comida de higiene duvidosa, passaram algumas prostitutas pela praça. Elas estavam vestidas de maneira vulgar, típico de uma prostituta. Mas uma delas me chamou atenção pois parecia com a Amy Winehouse. Acho que ela se inspirou no penteado pois seu cabelo parecia não ''ver um pente'' á meses,além do fato de que seus dedos não paravam de se mexer dentro de seu couro cabeludo.
De tanto observa-las, uma delas chegou a me oferecer programa mas exclamei que não sou lésbica.
Ainda a comer, olhei para a pista. Dois carros passavam,um vermelho e um prata, carros caros,de gente rica. Dentro deles,respectivamente um homem de terno, com cara de político corrupto. No outro uma loira com um óculos maior que seus seios cheios de silicone. Ao parar no sinal, o homem abaixou o vidro e deu uma piscada para a loira que não olhou para ele. Ainda com o sinal fechado, o homem continuou na tentativa de impressionar a loira e colocou uma música, um funk para chamar a atenção dela que por sua vez não moveu um fio de cabelo. Já com o sinal quase abrindo,o senhor acenou e disse: Olá! E a loira continuou sem olhar, foi quando o sinal abriu e o homem não percebeu. A loira passou e então ele notou que ela estava com fones de ouvido,só que enquanto ele percebia esse detalhe não percebeu que atrás dele um carro havia batido no seu carro.Uma lata velha, acabada e dirigida por uma bicha loira que saiu do carro e reclamou para ele : Aii! O senhor não tá vendo o sinal não é? Acabou com a minha perua!

Enquanto isso aconteceu, comi todo o pão doce e que começou a fazer certo efeito juntamente com o suco do chafariz.Minha barriga começou a fazer um barulho estranho. Parecia um grito, era esquisito. Se mexia,roncava. Mas como seria se eu acabara de comer? Então, encostei meu ouvido na minha barriga onde pude observar, era um diálogo. Minhas tripas gritavam e diziam que estavam em estado de emergência,havia sangue em todo lugar. Então, ao perceber a situação,falei baixinho: Tripas minhas, não ficais tão nervosas! Apenas tomei um suco de morango do chafariz. Foi isso que as acalmou e finalmente eu pude ficar mais tranquila.

Depois de tais acontecimentos, resolvi que iria pra outro lugar. Tal praça estava muito monótona.
Levantei do banco e fui andando em direção à parada, antes de atravessar a rua, fui surpreendida pelo pirralho que teria supostamente coloca do suco em pó no chafariz. O moleque me disse que não poderia sair sem pagar o suco que tomei,que ele tinha gasto para aquilo. Dei um empurrão no pirralho que caiu no chão e ficou chorando e atravessei a rua. Andando até a parada passei por zé mendigo que me chamou e contou toda sua história de vida muito triste que ele sempre contava todo dia que eu passava por lá e que sempre tinha que fingir lágrimas para não ser assaltada. Passei pelos caras do reggae e sai com perfume de maconha, mas, feliz, desta vez eles esqueceram de jogar as piúbas em mim e queimar minha roupa.Passei pelo boy do cachorro quente que me deu uns pães sem salsicha para meus gatos apesar de saber que os gatos gostam da salsicha. E finalmente cheguei na parada onde fica o senhor que vende confeitos e que eu sempre uso do meu truque infalível: Digo para ele, lunático, que está passando um disco voador,enquanto pego uma bala e ponho no bolso. O coitado sempre cai na minha história (risos) mas até que ele realmente diz ter visto. Eu não acredito muito pois, eu nunca vi, era só uma luz forte não deu para ver nada. Só senti os dedinhos gelados na minha nuca, mas, é como eu digo, só acredito vendo.

Então, esperando na parada, finalmente chega meu ônibus. É hora de partir. Sabe, todo dia o velhinho dos doces grita pra mim que tem um extra-terrestre na minha mochila,coitado, já deve estar a caducar.

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