
Era uma noite muito fria.
Ela passou pela cozinha, olhou para a hora, abriu a geladeira e ficou pensando. Fechou a porta e foi para seu quarto. A janela ainda estava aberta e um vento frio invadia todo o espaço. Ela foi fechar-la. Quando chegou na janela, parou para reparar na noite. A lua parecia um desenho no céu, e as estrelas pareciam pingos de luz brilhando quase que ao mesmo tempo. Uma rajada de vento forte entrou, batendo em seu rosto e levando seus cabelos para trás. O frio era óbvio, mas ela agia como se ele não a incomodasse. Ela fechou a janela do seu quarto, que era no 4º andar do prédio onde ela morava.
Ela preparou um banho. Depois de um dia cansativo trabalhando e estudando, ela precisava de um banho, não só para se limpar, mas também para relaxar. A água não estava tão quente, e ainda dava para sentir o frio, mas tomar banho naquele momento era como tirar as impurezas não só do corpo, mas da alma. Ao terminar o banho, seu corpo tremia. Ela foi para seu quarto e se vestiu com uma roupa bem quentinha para dormir. Ela sentou na sua cama, se enrolou em suas cobertas quentinhas.
A luz do quarto estava apagada, apenas um abajur com luzes azuis e verdes.
Ela pegou um bloco de papéis e, mesmo com uma luz fraca na qual quase não dava para enxergar, e começou a escrever. Fazia algum tempo que ela estava escrevendo um livro, de poemas e contos, mas de vez enquanto deixava de lado esse sonho. Sua imaginação fluía com o passar das horas na madrugada. Ela não se importava em ficar acordada, já que na manhã seguinte era de sábado, e não haveria aula. Ela leu cartas, chorando. Lembrando de um passado que não podia mais voltar. Ela adormeceu e só assim conseguiu encontrar sua paz: perdida em sonhos.
Ela tinha uma coleção de papéis, de todos os tipos. Adorava escrever, e criava um gato e uma cadela. Na manhã seguinte, ela acordou às 8:00 AM. A manhã era fria, e as árvores do parque estavam húmidas. Ela saiu para caminhar, depois de alimentar sua cadela e seu gato.
O parque estava quase vazio, com algumas poucas crianças e alguns velhos sentados em bancos. Ela levou seu bloco de papel, e algumas canetas. Sentou em um banco ao lado de uma bela e enorme árvore, que tinha poucas folhas, estava seca. Pensou então em descrever o que ela via, em seu texto. Grama molhada, algumas folhas secas no chão. Céu nublado, árvores secas, era o fim do outono, começo do inverno. Algumas crianças brincavam de se esconder atrás das árvores. Os velhos, viam o tempo passar como se esperassem uma chuva. Não haviam pássaros.
Alguns esquilos, corriam e subiam nas árvores. Mas nada de tão interessante que chamasse a atenção dela. Ela poderia inventar alguma situação, mas preferiu admirar a paisagem.
Ninguém precisava dela naquele momento, ou parecia se importar.
Mesmo assim, ela estava apressada. Mesmo que não houvesse aula, ainda tinha o trabalho.
Ela voltou para casa, onde seus bichos de estimação a esperavam ansiosamente. Ela os alimentou novamente, e se arrumou para o trabalho. Ela não almoçou, pois não sentia necessidade de cozinhar apenas para si. As 1:00PM ela saiu de casa. Como fazia todos os dias, ela subiu a rua e foi para o ponto de ônibus. Sentou sozinha e esperou pelo ônibus de número 133. Ela trabalhava num petshop no centro da cidade.
Quando chegou lá, seu chefe a mandou limpar os aquários, o que ela fez sem questionar.
O dia não foi de trabalho pesado, apesar disso.No fim do expediente, ela pegou o caminho para casa. Foi para o ponto próximo ao petshop, esperar seu ônibus. Haviam duas pessoas no ponto. Um casal. Eles pegaram o ônibus de número 241, deixando-a sozinha. Do outro lado da rua, tinha alguém, que ela não conseguiu reconhecer se era homem, ou mulher. Quando seu ônibus vinha, esta pessoa que usava suéter cinza e calça preta, atravessou a rua as pressas e pegou o mesmo ônibus que ela. Era um jovem rapaz. Ela ficou assustada, mas logo depois esqueceu o acontecido. Ele a olhava de onde estava, mas ela não havia reparado. Ele desceu 3 paradas antes da dela, o que a deixou mais tranquila. Ela desceu na sua parada e começou a andar até o começo de sua longa rua, a qual teria que descer.
A rua estaria vazia, se não fossem duas pessoas que entravam em um carro azul escuro.
Ela chegou em seu prédio. Subiu até seu andar, e quando chegou em seu apartamento, sua cadela parecia agitada. Então ela foi um pouco mais para dentro, e reparou que sua janela estava entre aberta. Assombrada, ela acendeu as luzes, e perguntou se havia alguém lá. Ninguém respondeu.
Ela fechou a janela, mas não chamou ninguém para, de alguma forma, ajuda-la. Tudo que ela queria, era comer seus chocolates assistindo seu programa favorito na tv.
Ela tomou banho, e se vestiu para dormir. Sentou em seu sofá, ligou a tv, já com os chocolates em mãos. Depois de um tempo, vendo tv, seu programa favorito acabou, então, ela ficou passando os canais para ver se encontrava algum outro programa que a agrada-se. Nesse meio tempo, faltou energia. Então, ela resolveu ligar para o porteiro, para tentar descobrir o que havia acontecido. Quando ela se aproximou do telefone, escutou um barulho na janela. Com medo, ela não sabia o que tinha ouvido. Então, ela escutou de novo um barulho, mais forte. Mesmo assombrada, resolveu olhar o que era e a perguntar se havia alguém lá. Quando ela se aproximou da janela, viu algo brilhante e verde batendo na janela. Ela não identificou o que era, mas era algo que enchia seus olhos. O objeto não apareceu por um tempo, assim como a energia não havia voltado.
Então, ela se aproximou da janela, e abriu, na esperança que tal objeto caísse dentro de seu apartamento. E foi o que aconteceu. O objeto veio direto para sua janela, que agora aberta, deu espaço para que ele entrasse. Ele caiu bem em seu tapete, mas ela nem se importava.
O objeto era como uma pedra preciosa, verde e brilhante, e como se houvesse uma luz dentro dele. Ela nunca tinha visto algo parecido. Ela o pegou em mãos. O objeto era frio, como gelo. A energia voltou, e a luz da sala se acendeu. Como uma luz mais forte que ofusca outra luz, as luzes do apartamento fizeram o objeto se apagar, parecendo apenas uma pedra verde e grande. Ela foi até seu quarto, e colocou esse objeto estranho em seu criado mudo.
Todas as noites, na hora de dormir, ela admirava esse objeto, que brilhava iluminando parte de seu quarto. No trabalho, seu chefe perguntou a ela, se ela estava usando lentes de contato, ela respondeu que não, e quis saber o por que de tal pergunta, ele disse que seus olhos pareciam mais ... esverdeados. Quando chegou em casa, ela reparou. Seus olhos pareciam verdes, seu olhar parecia mais sensual, mas ela não quis acreditar que era por causa de sua pedra brilhante.
Ela parecia mais bonita, e seu olhar mais ambicioso. Ela não tinha muitos amigos, mas começava a despertar comentários na escola, e onde andava. Certo dia, ela estava sozinha no ponto de ônibus, e um rapaz jovem, de cabelos dourados passou perto dela. Ele olhava para ela o tempo todo, e ela o olhava de volta. Ele se aproximou, e ela sorriu. Ela o chamou para perto, e disse baixinho: -" Venha comigo!'' . Ela o levou para seu apartamento, e sem nem saber seu nome, ficou com ele durante toda noite. Depois de um tempo, ele a perguntou, o que era aquela pedra que brilhava tanto, e que enchia os olhos. Ela sorriu, e disse que antes de qualquer coisa, ela gostaria de saber seu nome. Ele disse, que não tinha nome no momento, e que isso realmente não importava naquela hora. Ela sorriu e concordou. A pedra deixou o rapaz impressionado, e curioso. Quando era manhã, ele estava pronto para ir embora quando perguntou a ela, qual seu nome, e se poderia voltar depois. Ela respondeu: -''Meu nome é ... Anne. E ... Claro que pode voltar, com toda certeza.'' Ela respondeu sorrindo. Seu nome não era Anne, mas ela não queria se expor mais do que já tinha feito. Ela perguntou então, o nome dele, e ele respondeu: -''Me chamo David.'' Ele a pediu seu telefone, e logo depois, foi embora.
O brilho daquela pedra não lhe saiu do pensamento. David passou a visitar a casa dela todas as semanas. Eles tinham um relacionamento calado, apenas de atos e puro desejo. Mas ambos tinham desejos diferentes. Ela gostava da presença de David em sua casa, gostava de estar com ele dia e noite, gostava do jeito como ele a tratava, do jeito como a tomava em seus braços. David gostava dela também, mas nada era mais impressionante que o brilho da pedra. Seu maior interesse era ter tal objeto com ele, ele pensava que poderia ter muito dinheiro vendendo-a.
Certo tempo depois, quando ela confiava mais nele, e ele tinha mais liberdade na sua casa, David começou a planejar uma forma de tirar aquela pedra de lá e sumir com ela, para longe. Enquanto ela foi trabalhar, David entrou em seu apartamento, lá fora um carro esperava por ele. Ele foi até seu quarto, mas a porta estava fechada. Do nada, ela apareceu na casa e se deparou com ele lá. Ficou meio desconfiada, mas ele conseguiu engana-la dizendo que achava que tinha esquecido uma peça de roupa lá. Ele fingiu que procurou e como não achou, disse que ia embora, mas ela pediu que ele ficasse. Ele passou a noite lá, e quando era madrugada, e ela dormia, ele se levantou devagar, pegou sua mochila e tentou tirar a pedra de lá. A pedra parecia estar colada ao criado mudo. Quanto mais força ele fazia, a pedra parecia pesar mais. Ela acordou e viu o que ele estava fazendo. Horrorizada, perguntou o que estava acontecendo. Uma ira a domou quando percebeu que ele apenas estava interessado na pedra. Eles começaram a discutir. Ele a chamou de vagabunda, e num momento de ira, ela pegou uma tesoura, e enfiou em seu peito. Não atingiu o coração, mas ele começou a sangrar. Ele caiu no chão, e ela continuou a dar tesouradas, até que ele morresse. Ela tomou banho, lavou seu quarto, e sozinha, enrolou David em um carpete vermelho. Já era quase manhã. Ela o arrastou com uma força sobrenatural pelos corredores do prédio, até o elevador. chegou até a saída, onde o porteiro cochilava. Colocou ele, no carro que ele deixou esperando lá fora, e levou até um terreno baldio que havia próximo ao parque. O terreno estava húmido e cheio de ervas daninhas. Ela cavou um buraco, o jogou lá e enterrou com bastante terra. Depois voltou para casa e agiu como se nada tivesse acontecido.
Nos dias seguintes, ela chorava toda noite, mas sempre olhava para sua preciosa pedra, e se confortava em saber, que ela estava ali, no mesmo lugar, e era onde estaria sempre, ela pensava. Ela estava sendo dominada por seu 'tesouro' mas isso não a incomodava, ela se quer reparava isso. Certo dia, a polícia apareceu em sua casa, perguntando a ela sobre um rapaz chamado David, dizendo que suspeitas haviam dito que ela andava com ele antes de seu desaparecimento. Ela falou que não sabia do que eles estavam falando. O policial perguntou: -"Seu nome não é Anne?'' e ela respondeu: -"Não, meu nome é ...'' .
Um comentário:
oii.muito legal seu blog to seguido segue o meu tambem?
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