terça-feira, 10 de maio de 2011

Epístola de meia-noite

Talvez eu devesse trocar de canal
Talvez eu devesse mudar o sinal
Colar estrelas no céu
Enfeitar mais um pouco o chapéu

Talvez eu devesse correr mais rápido
Trocar as roupas, os sapatos
Talvez em outro planeta, cometa
Paquerando um extraterrestre

Nos meus trajes de invasor
Eu sou mal visto por olhos fechados
Escondo o rosto com papel invisível
Faço bolhas de amor impossível

Talvez eu devesse juntar as folhas
Rasgar as escolhas e reciclar
Talvez numa outra emissora
Alguma pessoa vai me explicar

Talvez eu devesse jogar as viúvas
Nas poças da chuva
Marcar os passos dos rapazes indiscretos
Traçar os traços incorretos

Talvez eu tivesse uma ligação
Sem sinal neste vendaval
Pó e faísca que saem do meu nariz
Pastilhas de dente me deixam feliz

Fruta fresquinha saiu do meu pé
Sabor de morango com café
Com suco amargo que nem mel
Direto pra merenda escolar do céu

Um beijo silencioso na escuridão
Estou ansioso por uma canção
Carrego pensamentos na palma da mão
Histórias e peças completam o refrão

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