As vezes eu acordo. São 9h da manhã. Angelina, minha gata mais velha, sobe na minha barriga para me cumprimentar. Eu levanto, tomo um banho. Daí eu lembro. Que eu acordava as 9h da manhã e ficava até as 10 na cama. Até as 10h tentando fazer você acordar. As vezes você acordava, mas não do jeito que eu esperava. Eu não sabia o que comer no café da manhã. Até hoje eu não sei. Eu só acordo e tomo banho. Não tem ninguém pra eu acordar... e sabe quando eu vou ver o mar, eu ouço o som das ondas e eu sento na orla. Solitária, as vezes eu levo alguns goles de vodca. E o vai e vem do mar, a brisa, o entardecer fazem me lembrar você. Daí eu digo pra mim mesma que tenho que esquecer. Mas você tá sempre ali, você tá em todo lugar... Mas eu nunca te vejo. Eu nem quero te ver. Pra quê? Você não está assim como eu, sozinho. Você tem alguém pra te consolar.
Eu sempre escolhi os caminhos mais difíceis. Sempre escolhi resolver tudo sozinha, enfrentar tudo sozinha. É o jeito como a vida me ensinou. Eu aprendi assim. Mas eu ainda tô aprendendo. E eu aprendi a não ser tão só. Mas não sei se foi pior... quando tive que ficar sozinha novamente mas, não mais por minha escolha, foi bem difícil. Agora eu tô aprendendo de novo. Mas ainda dói. E eu fico procurando companhia nos lugares errados, nas pessoas erradas... isso tudo tem me envenenando tanto... Daí vem a sua lembrança. Mas você também me fez sentir assim. E eu tenho tanto medo... eu tenho medo de sentir de novo essa dor. Eu tento medo de mais uma vez reafirmar minha condição: sozinha. Eu nem consigo mais estar comigo mesma. Estou tão cansada de caminhar que já pensei em desistir. Já pensei em desistir de me achar. E quando eu penso que me achava em você, dói mais. Mas a vida era mesmo uma bagunça não é? A gente se machucou tanto. Eu nem vi que estava sangrado... eu só queria que parasse de doer. Eu só queria esquecer você.
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