Imagens de mim.
Eu costumava me enxergar nas estrelas. Nas noites estreladas. Gostava de sentir que eu era parte da magia noturna e que pertencia a um mundo mágico. Era amante das criaturas místicas me colocava numa realidade paralela onde o conto era o que valia. Creio que essa foi a forma que encontrei de fugir um pouco dos problemas e levar uma adolescência (sim, adolescência) minimamente saudável. Não deixei de me sentir parte de um mundo encantado mas a realidade me trouxe ao chão e é muito difícil voltar para aqueles doces sentimentos onde bastava fechar os olhos e voar.
Ainda hoje tenho sonhos voando. A maioria deles por impulso mas em muitos me encontro voando na vassoura. As bruxas nunca tiveram uma imagem tão negativa pra mim, ao contrário. Sempre acreditei que nós, mulheres, somos um pouco bruxas. O que nos faz esquecer e negar isso é a vida adulta. Não dá pra brincar com os boletos e necessidades cotidianas. As coisas não se resolvem com mágica. A gente meio que vai perdendo esse brilho, essa energia e vamos nos tornando mais densos, frios ou extremamente emocionais conforme a vida nos cobra.
Ser adulto não devia ser assim tão distante. É como se nossa capacidade de imaginar fosse descartada. Mas nunca somos maduros o suficiente. Nunca estamos preparados o suficiente para a vida. Sempre há uma brecha, uma dor. Algo que não sabemos lidar. Sempre há uma primeira vez. Sempre há algo novo e mesmo na velhice ainda precisamos aprender. Isso me faz pensar e sentir que na verdade nunca saímos da adolescência. Somos adolescentes cansados, chateados com a vida mas com responsabilidades que nos faz anular o questionamento e tantas derrotas que nos fazem parar com o desejo de mudança.
Eu queria voltar a pureza do coração que tinha. Era tão fácil sonhar. Era tão perto o sonho. O brilho da lua. Era tão simples ter tudo. Me teletransportar para o mundo paralelo. Ser brilho, ser luz. Uma fada, uma bruxa ou só uma adolescente perdida. Pena que os miolos de pão que deixei no caminho de volta para o paraíso foram comidos por abutres e a floresta virou concreto. O caminho do amadurecimento através das cobranças que a vida faz as vezes parece tão injusto. Bem agora eu sou só uma adolescente envelhecida que mal lembra de suas aventuras distantes. Tão calejada por dentro. Tão perdida quanto ao rumo que me cabe. Tantos problemas que mesmo desconhecendo solução preciso resolver...
Eu não sofro mais que ninguém. Algumas lembranças ainda me doem muito pois não extrai delas a devida lição. Só que a aula nunca acabou. E tudo que eu espero é pelo sinal do intervalo e não pelo toque da saída.
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