quarta-feira, 27 de abril de 2022

Sobre novas dores

 Estou apaixonada. Não posso negar mais. 

Você é objeto do meu desejo, meu primeiro pensamento ao acordar, ao deitar para dormir.  Eu desejo você, sua presença, seu toque, seu carinho, seu olhar. Eu anseio sua atenção, seu cuidado. Me derreto quando me abraça e faz do meu colo abrigo. Me derreto quando está perto de mim e me faz sentir desejada. Me derreto pensando que poderia ficar com você, ter você em minha vida, ter esperança com você. Antes de você eu já não tinha esperança... antes de você eu vivia amargurada. Mas agora eu estou apaixonada e me sinto a mais idiota do mundo. 

Idiota sim pois sei muito bem que você não sente o mesmo. E não é que você não goste de mim mas eu sei que é assim, você não sente isso tudo que eu sinto aqui. E dói constatar. E eu tento me enganar. E você tenta se enganar. Mas no fundo sabemos que é desse jeito. Eu de peito aberto e você com a mão no peito. E não é culpa sua nem minha. Não é culpa de ninguém. Afinal, eu não planejei isso nem você. Se eu pudesse escolher ... se eu pudesse escolher eu queria te conhecer antes, ter algo mais longo, conhecer você antes das suas experiências amargas, das dores. Se eu pudesse escolher tudo era sonho, eu e você no mundo. Mas infelizmente eu não posso escolher. Aconteceu. E dói muito. E também é maravilhoso. E eu me sinto viva apesar de as vezes querer morrer. Mas eu não sou assim. E por mais que isso tenha crescido tão rápido dentro de mim eu sempre jurei não me deixar destruir por sentimento algum. Por relacionamento algum. Eu já conheço essa dor. Agora ela dói mais pois não existe decepção. Tudo é constatação. Eu poderia muito bem terminar qualquer coisa que exista entre nós. Eu poderia encurtar essa dor, esse sofrimento. Mas eu tô me permitindo sentir. E é bom sentir. É bom sentir isso por você.  É bom te querer. Mas também é um pouco masoquista. Porque eu sei que mais cedo ou mais tarde é você quem vai partir. E só vai sobrar saudade. 

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