quinta-feira, 23 de maio de 2019

No pingo do meio dia

Ela, deitada em sua cama, olha pra janela e vê o sol entrando. O vento forte tem cheiro de mar e a trilha sonora fica por conta das ondas. Seu corpo em febre de verão e ainda molhado da ducha que tomou a pouco tempo, está estendido sobre a cama de casal. Meio vazia de corpos. Cheia de ilusões e desejos. Os lençóis brancos cheiram a sabão em pó. Aquele cheiro que lembra as roupas estendidas no varal no qual ela brincava próximo quando era criança. A nostalgia toma conta. Há um clima de enfado e calmaria. Há uma preguiça gostosa misturada com euforia. Então seu corpo resolve falar. Ela lembra de como descobriu que pode ser feliz sozinha. Foi ainda menina, na puberdade. Quando suas mãos tinham vida própria e seguiam seu caminho até o rio. Elas faziam enchente. O rio transbordava. E naquela época ela nem tinha noção do poder que aquele momento carregava. A descoberta dos mistérios tão silenciados pela sociedade. Ela tinha um tesouro e sua memória fez questão de desenterrar. Sua mão calma então se moveu. Um carinho sincero era sua maior demonstração de amor. E ali, sob a luz do sol do meio dia, o rio nasceu. E a água desceu. E seu corpo era um vale de delícias. E sua mente, morada do infinito gozo. Ela então mexeu o quadril na tentativa de continuar aquela viagem. Seu corpo tinha decorado cada movimento. Seu corpo agradecia a cada  arrepio pelo momento tão pleno. Logo uma brisa  forte entrou pela janela e passou por todo seu corpo que agora também era morada da natureza. Seu corpo alinhou sua energia com a mãe terra. E foi assim que ela percebeu que todos segredos do universo pareciam tão simples...

A cantiga do vento e das ondas  a levou a um sono profundo. E em sonhos ela se  perdeu.

Nenhum comentário: