domingo, 14 de novembro de 2021

Restart

 Deitada, nua e ensanguentada.


Parece cena de filme de terror mas é só um dia normal na sua casa. SUA CASA. Ou sua casa enquanto você pagar pelo aluguel. 


Deitada, nua e ensanguentada.


Liga o ventilador e fica lá parada. Aliás, ficar parada é sua especialidade. Acontece com certa frequência. Mas hoje ela ta parada nua e ensanguentada deitada na sua cama. Uma cama de casal onde seu corpo fica a vontade. Não há um outro corpo para ocupar este lugar. É só ela e seu corpo, seus medos, seus desejos. Desejos. Fantasias. Ela vende fantasias. Algumas são rápidas, não duram mais que 3 minutos. Outras são longas e duram todo um mês. Algumas não agradam a todos por talvez não preencher suas expectativas. Mas ela ainda as vende com o mesmo sorriso no rosto.


Deitada, nua e ensanguentada.


Não, não é um filme de terror mas poderia ser um drama. Poderia ser um fetiche ou até uma fantasia. Nua, ela se deita. Ela se toca. Na busca por um fim aquela situação, ela sangra. Mas isso não é uma morte. É o ápice do prazer. 


As paredes ecoam seus gemidos. Seriam de prazer ou de um pedido de ajuda? Quem pode julgar... Ninguém! 


O sangue desce por entre suas pernas e ela lamenta. Então ela se toca novamente enquanto lentamente seu cérebro absorve substâncias proibidas que a faz relaxar. E quanto mais ela disfruta, mas ela sangra. A sangria é garantia de bolso cheio amanhã.


Deitada, nua, ensanguentada e a alucinar. 


Algum tempo atrás ela não tinha esperanças que isso seria possível. Finalmente ela conquistou seu sonho mais difícil. Finalmente só. Finalmente independente. Quase 30 mas nunca é tarde. Também não é fácil. Mas os sonhos se tornaram mais alcançáveis e a realidade agora é mais favorável a todos seus desejos e objetivos. 


Ela está deitada na cama, suas portas não precisam de cadeados, suas janelas não precisam de trancas. Mesmo sem uma peça de roupa cobrindo seu corpo, ela não tem com o que se preocupar. Esse é o sonho mais gostoso de se alcançar. Novas experiências, nova liberdade, novas preocupações, novos sonhos. 


O vermelho do sangue que marca o tom alvo de suas coxas é a tinta que pinta sua liberdade regada de uma privacidade que ela tanto almejou. Hoje ela tem. Esse sangue é nascimento, ela renasceu. Agora os monstros são novos e os desafios também.  Mas alguns medos nunca mudam.




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