terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Aquele clichê de que amor vira ódio nem é tão clichê assim. A gente ama e ama e dá tudo de si por alguém ou algo e na maioria das vezes somos rejeitados ou sofremos profunda decepção. Sempre achei a ideia de amor virar ódio muito tola e egoísta mas agora, perto dos meus trinta anos eu acho entendi a razão desse ditado. Não posso separar egoísmo do sentido desse clichê mas posso justifica-lo: vem do amor próprio ou da falta dele. Do amor próprio porquê amamos à nós mesmos ao ponto de nos questionar como nos deixamos cair nessa armadilha desse jeito. Como nos deixamos cair nessa arapuca tão tola. Fazer tanta entrega sem a mesma perspectiva de retorno. Então o ódio vem primeiro, por nós mesmos, nos odiamos pois concluímos que somos dignos de algo muito melhor. Então surge o questionamento de como alguém pode não reconhecer nossos valores. Como alguém não conseguiu perceber o ser incrivel que habita em nós e como somos únicos. Como poderíamos ter sido perfeitos para alguém. É quando começamos a odiar o outro ou a coisa desejada. "Não merecemos nem isso?" é a questão mais recorrente. Porém, muitas vezes ouvimos que isso não é egoísmo, é amor próprio. Mas egoísmo não é voltar os olhos pra si mesmo? E se a gente nunca se olhar e se priorizar, não estaríamos nos destruindo através do altruísmo? Como praticar amor próprio sem tornar os olhos pra nós mesmos? A linha tênue entre o amor e o ódio é uma linha tênue entre a razão e a loucura. Mas uma coisa é certa: em algum momento vamos odiar. Seja a nós mesmos pela falta de amor próprio ou ao outro por não perceber a pessoa incrível que o egoísmo nos faz enxergar.

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